Respondendo ao questionamento e posições de um professor kodansha em relação ao artigo que escrevi há uns 4 anos sobre a questão do uso, ou não, da faixa vermelha e branca pelo seus detentores, me presto novamente a redigir um texto com minhas impressões sobre toda essa questão.
Primeiramente, como já tinha dito no artigo anterior, a questão do uso - ou não - da faixa coral não pode mascarar ou suplantar algo muito mais importante relacionado à figura do kodansha, a saber: seu conhecimento, conduta e exemplo. NÃO sou kodansha e, como disse no outro texto, espero um dia poder MERECER tal graduação. Hoje sou um faixa preta 4 DAN (pois como aprendi com meu professor, devemos CONQUISTAR nossa graduação dentro do Judô FAZENDO exame e RESPEITANDO a carência do mesmo). Respondendo diretamente à pergunta deste professor, sei sim o significado do kodansha, sua origem, missão e necessidade, pois, além de ter como exemplo professores como o Sensei Massao Shinohara, Sensei Mário Matsuda, Sensei Rioiti Uchida e Sensei Carlos Penna, estudo bastante história, inclusive do Japão e do Judô.
Em relação às muitas vezes que o professor foi à Kodokan e teve o inestimável contato com o Sensei Kotani, Sensei Abe e Sensei Shibayama, o felicito por isso, mas - para que sua verdade não seja a única - em 2003, por exemplo, o Sensei Toshiro Daigo, kodansha 10 Dan e responsável técnico da Kodokan, ministrou a clínica de Kata dentro da própria Kodokan portando a FAIXA PRETA... Certamente não foi um descuido.
É fato que preciso de mais sabedoria e conhecimento - como colocou o respeitável professor - por isso mesmo treino judô há 26 anos (e pretendo o fazer até o fim da vida para a cada dia aprender mais) e estou há 16 anos na Universidade de São Paulo - USP (onde já me formei em 3 graduações e mais um mestrado) ainda considerando muito pouco para nossa capacidade de conhecimento e evolução humana, portanto refuto veementemente sua opinião acerca de minha suposta incorreção sobre este tema.
Discordo do mesmo, e reitero que o ÚNICO lugar onde se aprende o Judô é no tatami, "segurando" o judogui, ajudando os companheiros, caindo, levantando, ensinando, aprendendo, acreditando, superando... Evoluindo; e aí sim, aplicar os ensinamentos e conduta na vida em sociedade como um todo.
Imagino, na minha singela opinião, que grave mesmo são essas promoções de yudanshas sem o mínimo critério (e pelo que sei há uma comissão que chancela tais promoções, essa sim deveria ser cobrada pela qualidade dos "promovidos por mérito" ou por "indicação" e agora por "ranqueamento"), grave é o surgimento e difusão dos "kodanshinhas" (crianças com faixa branca e vinho) que faz uma alusão à figura do kodansha, grave é assistir a competições amistosas e ver dois atletas de judogui azul lutando entre si, grave é ver praticantes de judô que não sabem ao menos fazer a saudação corretamente.
Logo, caro professor, tenho certeza que o debate é ótimo - na medida em que seu resultado traga melhorias para o Judô - e nos faz pensar naquilo que tanto amamos, e procuramos defender e ENTENDER de corpo e alma.
Atenciosa e respeitosamente também,
Vinícius Erchov – Faixa Preta 4 Dan
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